Pedro de Morrone, que tomou o nome de Celestino V, nasceu no sul da Itália por volta de 1215. Eremita e fundador de uma congregação monástica de vida austeríssima — os celestinos —, viveu décadas em grutas das montanhas dos Abruzos, em oração e penitência, com fama de santidade.
Já com cerca de oitenta anos, num conclave longamente impasse, foi eleito papa em 1294, para espanto seu e de todos. Homem santo, mas inábil para o governo, viu-se logo manipulado e oprimido pelas intrigas da corte. Após poucos meses, fez algo inédito: renunciou ao pontificado, por humildade e desejo de voltar à solidão.
Seu sucessor, temendo cismas, manteve-o em custódia, e Pedro morreu em 1296. Canonizado em 1313, é memória rara do papa que abdicou por amor à verdade de si mesmo e da Igreja, preferindo Deus ao poder.